O sedental a tristeza que a desola;
Chora - o orvalho do pranto lhe perola
As faces maceradas de desgosto.
Quando o rosário de seu pranto rola,
Das brancas rosas de seu triste rosto
Que rolam murchas como um sol já posto
Um perfume de lágrimas se evola.
Tenta as vezes, porém, nervosa e louca
Esquecer por momento a mágoa intensa
Arrancando um sorriso a flor da boca.
Mas volta logo um negro desconforto,
Bela na dor, sublime na descrença,
Como Jesus a soluçar no Horto.
(Augusto dos Anjos - Sofredora)
